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A peça

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Segunda montagem dos alunos do PA2B do Macunaíma Eldorado, este espetáculo terá um tom menos regional do que, por exemplo, o texto original, como forma de atrair um público mais abrangente.

Escrita por Jorge de Andrade, e montada originalmente pelo Teatro Brasileiro de Comédia, sob direção de Antunes Filho, VEREDA DA SALVAÇÃO é visto como um dos clássicos da dramaturgia brasileira.

Baseada em um fato real ocorrido em 1955 em uma fazenda da cidade de Malacacheta, norte de Minas Gerais, VEREDA DA SALVAÇÃO retrata a tragédia vivida por um grupo de agricultores que, pela falta de perspectivas reais de uma vida digna, se agarra à promessa de dias melhores apresentada por uma nova crença religiosa. Após o assassinato de quatro crianças -- que supostamente estavam endemoniadas -- por membros do grupo, a polícia interveio e o conflito que se seguiu terminou com a morte dos líderes religioses do grupo de agricultores.

Raul Cortez, no filme Vereda da Salvação
Raul Cortez, estrelou a adaptação de Anselmo Duarte para Vereda da Salvação

Conflitos Sociais

A obra foi alvo de críticas quando de sua divulgação pois Jorge de Andrade pintou vários dos conflitos, existentes no episódio de Malacacheta, com cores fortes e sem poupar nenhuma das partes envolvidas.

Manoel, líder dos agricultores, discursa em vários momentos sobre a perda das terras em que vivem, que foram "tomadas" deles com a chegada da infra-estrutura, representada por uma grande estrada que passa por aquela região. Este discurso na época era visto como simpatia do autor por causas consideradas esquerdistas, como a reforma agrária ou a crítica ao poder constituído.

Por outro lado os agricultores, convertidos a uma nova crença se aproximam de fanáticos irracionais, sem o mínimo de civilidade, e que tem como contraponto os fazendeiros e católicos em geral, que seriam mostrados sob uma luz mais favorável.

Fica claro que Jorge de Andrade se esmeirou na dramaturgia de VEREDA DA SALVAÇÃO e que a usou para questionar a ciclanos e beltranos.

Rei morto, rei posto

Durante boa parte da peça somos apresentados a um dualismo que tem Manoel de um lado e Joaquim de outro.

Ambos são líderes carismáticos e que agregam em torno de si, agregados que os seguem e os defendem. Ambos disputam Artuliana. Ambos disputam a influência sobre Geraldo (filho de Manoel, seguidor de Joaquim).

Manoel, tem seu apego àquela terra, representa a liderança secular, alçada a sua posição por sua senioridade e influência junto aos agregados e aos fazendeiros. Manoel, acaba por representar o velho, o arraigado, mais do mesmo.

Joaquim, único letrado entre o núcleo de personagens principais, ambiciona a liderança do grupo e usa seu conhecimento da Bíblia e da nova crença como suporte para conquistar seus objetivos. Joaquim é o novo, a promessa, uma vida melhor -- mesmo que seja apenas no paraíso.

Personagens principais

Joaquim, criado apenas pela mãe, Dolor, como um dos poucos da comunidade que sabe ler questiona a liderança de Manoel e sua falta de pulso com os filhos -- "quem não tem mando em casa..." -- que seguem caminhos diversos (Geraldo se convertendo em ponta de lança da nova crença, e Ana que se mantém fiel aos ideais católicos).
Dolor, mãe de oito filhos, dos quais só Joaquim sobreviveu as agruras da vida no campo, vive o conflito entre alimentar a ilusão do filho e vê-lo feliz, ou contar a verdade sobre sua origem, o que acabaria por fazê-lo sofrer ainda mais. Dolor é um contraponto racional ao fanatismo cego representado pelo filho.
Manoel, que é devoto da nova crença, mas é de fato um pragmático, tem um relacionamento com Artuliana, posseira muito mais nova que ele e objeto do inconfesso desejo de Joaquim, até que descobrimos, no climax do primeiro ato, que Artuliana está grávida e que Manoel se atormenta por ter cedido aos seus desejos para com ela e não se perdoa por seu deslize -- ocorrido durante a semana santa.
Ana e Geraldo são filhos de Manoel e são mais um indicador da dualidade presente no texto. Enquanto Ana é próxima das pessoas da fazenda, comunga como católica e admira o pai trabalhador, Geraldo é seguidor de Joaquim, devoto fanático e se afasta da família, chegando a renegá-los.

Vereda da Salvação: 1993
Cartaz de Vereda da Salvação, 1993.

Montagens

Antunes Filhos dirigiu duas das mais lembradas montagens de VEREDA DA SALVAÇÃO. A primeira em 1964, que contava em seu elenco com Raul Cortez, Cleyde Yáconis, Aracy Balabanian e Stênio Garcia, foi inovadora mas teve recepção dividida, com elogios e críticas, saindo de cartaz rapidamente.

Voltando à mesma obra em 1993, Antunes Filho traz um elenco capitaneado por Luiz Mello e Laura Cardoso para a remontagem de VEREDA e o espetáculo é aclamado por crítica e público.

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