Toró de Parpite
Meus posts sobre a vida, o universo e tudo mais
Vereda da Salvação, o filme
Saiu o vídeo de Vereda da Salvação, montagem feita pelos meus colegas de Teatro Escola Macunaíma no final de 2009.
Deixe seus comentários, recomende para os amigos e conhecidos e não perca a próxima montagem!
Internet Explorer e CSS: Perca o sono, odeie alguém.
Os nomes estão alterados pois esta "epifania" ocorreu durante uma noite de sexta-feira, horas após o prazo para a entrega de um projeto que, ao menos oficialmente, eu não tenho nenhum envolvimento.
A reposta não é 42. A resposta é 31 (ou 30, ou 32). Ao menos segundo algum projetista da Microsoft.
Já não bastassem as mandingas e rezas que são necessárias para que um site apresente experiência "parecida" entre diferentes navegadores, agora você também descobre que seus estilos simplesmente se recusam a ser aplicados. Não importa o que faça, alguns estilos -- arquivos inteiros, na verdade -- parecem escoar por algum ralo.
Imagine que você esteja trabalhando no projeto de um portal para representar toda uma nação, digamos a Mooca, e que este portal carregue enorme expectativa e seu papel é, apenas e tão somente, colocá-lo para funcionar. Parabéns, seu nome é Olinad, e você descobriu, da pior maneira, que deveria ter lido aquele artigo do suporte da Microsoft.
Sim, o Internet Explorer -- independente de versão -- ignora o import de arquivos de css após o 31o. Ou seja, se você tiver um site com as declarações de css devidamente (obssessivamente) separadas em arquivos, tome cuidado pois o 32o. deles será ignorado, assim como toda declaração que estiver em elementos <style> abaixo deste import.
No nosso caso a solução foi apelar para os poderes mágicos do Plone e desabilitar o modo de debug de css, que reduziu de 34 para ~4 o número de imports. Solução fácil, rápida e indolor, pena que Olinad tenha perdido quase um dia inteiro em busca do problema.
Por favor, usem qualquer navegador que não o Internet Explorer. Designers e suas famílias agradecem.
Screen cheatsheet (Dicas rápidas)
Se você trabalha com Linux de maneira regular deve conhecer o screen. Esta lista de comandos não é para você. Fica para a próxima...
Por outro lado se você é usuário eventual e/ou não tem mais uma memória prodigiosa, os camandos abaixo valem com referência
Primeiros passos
Iniciando o Screen:
screen
Lista de janelas "desconectadas":
screen -DR
Conectar à janela com o PID informado
screen -r PID
Iniciar uma janela com nome de MinhaSecao
screen -dmS MinhaSecao
Conectar à janela com o nome MinhaSecao
screen -r MinhaSecao
Guia rápido de uso
Criar nova janela
ctrl a c
Dar nome a uma janela
ctrl a A
Mostrar todas as janelas
ctrl a w
Alternar para janela n
ctrl a 1|2|3|...
Escolher uma janela
ctrl a "
Alternar entre duas janelas
ctrl a ctrl a
Desconectar da janela
ctrl a d
Ajuda
ctrl a ?
Cópia (Inicia a cópia, Mova o cursor para o local da cópia e pressione ENTER, selecione os caracteres, pressione ENTER e copie o texto selecionado para o buffer)
ctrl a [
Colar conteúdo armazenado no buffer
ctrl a ]
Seu curriculum é bom, mas você não é...
Prezado senhor (a),
Cursando Engenharia de Controle e Automação (Mecatrônica), venho adquirindo conhecimentos teóricos e práticos em minha carreira que me habilitaram a um ótimo desempenho profissional nas empresas em que prestei meus serviços, uma delas é a Moto Honda da Amazônia onde atuei por 2 anos, praticamente.
... (cortado para evitar nâuseas)
Tenho experiência em supervisão de pessoas, análises de processos visando a melhoria de todo processo fabril; na área da qualidade realizei inspeções e diligenciamentos buscando atingir metas, como prazo de entrega, qualidade do produto e homologações de empresas. Ótimo conhecimento no pacote Office e sistemas integrados.
Agradeço a oportunidade desde já e me coloco a disposição para uma entrevista pessoal onde poderei fornecer mais detalhes sobre minhas experiências e realizações profissionais.
Cordialmente,
Nome e email omitidos para preservar o mané
Após 11 anos já tenho uma coleção com centenas de e-mails que começam exatamente como o do texto acima: Educado remetente se candidata a uma pseudo-vaga em uma empresa que não existe...
É sério, deve ser praga de algum André (ou Ricardo), pois como fui batizado com um nome nem tão comum, mnha sina foi um homônimo famoso, 100 anos de estrada e que não tem um site em português (Veja aqui www.erico.com). Graças a esta empresa, todos os vendedores de "bases" de email incluem o meu e-mail pessoal como se fosse o RH da empresa... E todos os conhecedores de Rugosímetro, com experiência e formação da Uniban, disparam impiedosamente seus curriculums spams.
Como acredito que esta página seja monitorada por robôs em sedenta busca por endereços de e-mails vou ser cuidadoso. Não vou citar que o remetente do texto acima, rafael_cvcontato@yahoo.com.br, está CONTRATANDO PARA TODAS AS VAGAS, salários a partir de R$7.500,00. Isto seria maldoso, não seria?
Após o rompante de maldade, eu queria dar uma dica para quem está procurando emprego:
PELO AMOR DE DEUS FSM, se você quer arrumar um emprego e não consegue nem mesmo achar uma vaga, ou mesmo uma empresa para mandar o seu MALDITO curriculum spam... Desista! Vá fazer um daqueles concursos para gari!
Cordialmente,
Érico Andrei
p.s.: Se por acaso você conhece Python, Zope, Plone e sabe porque 42, pode continuar mandando seu spam, um dia eu prometo ler.
E quando São Zenoss não funfa...
Tenho usado o Zenoss dioturnamente para monitorar os servidores da Simples Consultoria. Não tenho muitas reclamações, pois ele faz o serviço muiro bem.
As poucas reclamações foram todas nas últimas horas quando me empolguei com a idéia de criar um ZenPack -- tive sucesso, por sinal -- para aplicar templates de monitoramento HTTP para os 90 sites que mantemos. A receita de bolo, que depois eu escrevo sobre, manda que ao final do processo você reinicie o Zenoss.
Zenoss reiniciado, vamos ver se tudo correu bem...
[zenoss@manoel bin]# /usr/local/zenoss/bin/zenoss status Daemon: zeoctl program running; pid=4954 Daemon: zopectl program running; pid=4958 Daemon: zenhub program running; pid=4963 Daemon: zenping not running Daemon: zensyslog not running Daemon: zenstatus program running; pid=4980 Daemon: zenactions program running; pid=4989 Daemon: zentrap not running Daemon: zenmodeler program running; pid=5014 Daemon: zenperfsnmp program running; pid=5033 Daemon: zencommand program running; pid=5042 Daemon: zenprocess program running; pid=5059 Daemon: zenwin program running; pid=5068 Daemon: zeneventlog program running; pid=5077 Daemon: zenwinmodeler program running; pid=5086
Três dos daemons não subiram e mesmo após tentativas de reiniciar os processos -- algumas rezas se aplicaram também -- nada acontecia.
A solução foi ler a documentação e perceber que por alguma razão estranha[1] o permissionamento estava errado para o zensocket. Enquanto o INSTALL.txt dizia claramente que:
- zensocket needs to be setuid in order to open raw sockets. As root, run: chown root:zenoss /usr/local/zenoss/bin/zensocket chmod 04750 /usr/local/zenoss/bin/zensocket
Portanto, tudo a fazer era, como root, acertar as permissões e, de novo, reiniciar o Zenoss:
[root@manoel bin]# chown root:zenoss /usr/local/zenoss/bin/zensocket [root@manoel bin]# chmod 04750 /usr/local/zenoss/bin/zensocket [root@manoel bin]# /usr/local/zenoss/bin/zenoss restart
Zenoss reiniciado e tudo volta ao normal -- ou seja, uma tempestade de emails, mensagens via Jabber e alertas prontos para serem atendidos.
Serão de salvação os últimos raios da Vereda?
Já foram quatro apresentações, dois dias, vários hematomas e um público bem meia-boca (sim, sim, todo mundo diz que vai hoje...).
É impressionante comparar a evolução do grupo. Alguns de nós estamos juntos a quase 2 anos e neste período aprendemos muito e, principalmente, conseguimos superar as diferenças de objetivo/visão/estilo/formação para conseguir estas 6 apresentações.
Joaquim, Dolor, Artuliana, Manoel, Germana, Geraldo, Ana, Onofre, Durvalina, Daluz e todo o grupo de agregados deixarão muitas saudades, são personagens ricos, multi-facetados e que se provam desafiadores até as palmas da última sessão. Vereda da Salvação e Jorge de Andrade passam a fazer parte dos meus favoritos, sob qualquer aspecto.
No mundo de Caras, pelo que se discute no camarim, teremos a fissão da turma em outras menores, com uma parte do pessoal se mudando para as aulas de sábado, outros se dedicando quatro vezes por semana e um úlimo grupo colocando a mala nas costas e mudando de escola. É triste pensar que em fevereiro de 2010 terei companheiros novos, mas concedo que ao menos sairemos por cima.
As fotos dos primeiros dias estão disponíveis aqui e aqui. Invista alguns minutos e aprecie o resultado de alguns meses de mal-querença, bate-boca e muito suor.
Merda.
Faltam 13 dias para a Vereda...
Ainda faltam 13 dias, 4 ensaios e muitas e muitas horas de estudo, mas está chegando o momento da estréia de Vereda da Salvação, segunda montagem de nosso grupo de estudantes do Teatro Escola Macunaíma.
Vereda da Salvação é um texto de Jorge de Andrade, escrito com base em um fato verídico ocorrido nos anos 50, no norte de Minas Gerais. Montada originalmente por Antunes Filho, esta peça é considerada uma das grandes obras da dramaturgia brasileira.
Está certo que o nosso diretor, o Rene Piazzentin (ainda) não é um Antunes Filho, que nós (ainda) não somos atores reonmados, reconhecidos e competentes -- como o eram Raul Cortez, Stênio Garcia, Aracy Ballabanian, Cleyde Yáconis -- mas garanto que nossa montagem será digna desta obra.
É claro que os familiares vão nos assistir, então o convite fica para o resto do mundo -- aqueles que ainda não se converteram ao adventismo -- agendar uma visita ao Teatro Escola Macunaíma, nos dias 01, 02 e 03 de dezembro, sessões às 19h e 21h.
Ouvindo conversa alheia
Este diálogo é real, as pessoas são reais, mas é claro que eu troquei os nomes para não ser eventualmente processado...
"Passeando" de metrô presencio uma conversa um tanto surreal. A pior parte é que, pela minha percepção, ela começou como uma desculpa ruim, seguida de um comentário sarcástico.
Bem, claramente, em algum momento, os personagens se perderam e a conclusão coroa tamanho besteirol:
- José: Desculpe, mas não deu para te ligar pois tive que apagar uns incêndios hoje...
- Maria: Incêndios? Hoje?
- José: Sim, isto mesmo. Dia complicado.
- Maria: Mas não dava... Choveu hoje. Choveu forte...
- José: Como assim? Do que você está falando? O que isto tem a ver...
- Maria: Ué, se chove não dá para ter incêndio! Não dá...
- José (Já um tanto resignado): Ok, mas você viu o sol que estava hoje. Aposto em 40C, e eu acabei de chegar da rua e ela estava seca...
- José: Não pode ter chovido, não faz sentido!
- Maria: Ah, eu vi na internet. Lá dizia que choveu. Então choveu!
- José: É mesmo, se está na internet deve ser verdade...
Neste momento percebi que, se José tinha um certo sorriso indicando sarcasmo, Maria realmente tinha certeza, acreditava no que estava falando...
E depois alguém ainda vem criticar a educação no país...
Deus está nas pequenas coisas...
É oficial, estou aberto a mudanças. Estou disposto a olhar o mundo sob uma nova (velha) ótica, querer ver as ações do Divino influenciando nossas vidas. Sou obrigado, até mesmo, a acreditar na volta de seu filho/deus, que irá nos salvar -- ao penar, novamente por estas terras.
O texto acima reflete muito o momento pelo qual passo, aliás, o desafio que tenho: Compor o personagem Manoel, de Vereda da Salvação. Manoel é homem simples, trabalhador, religioso. Crente, em todos os sentidos. Ele é um daqueles que sente, até apela (por), a presença do divino no seu dia a dia. Deus é a esperança de tempos melhores, quando confrontado com a dureza da vida no campo.
O personagem é assim, eu, o ator-criador, não. Um desafio e tanto, não é?
Ricardo Bánffy
Para piorar tenho tido uma sucessão de semanas ruins, muito ruins, entremeadas por alguns dias estranhos, muito estranhos. Existem momentos sinto que o velho Manoel parece querer impor sua crença sobre a minha, percebo uma leve sugestãopara que eu pare de tentar entender e simplesmente aceite que as coisas são do modo que são apenas por que Deus assim as quer. Concedo a você que seria mais fácil viver assim, mas ainda estou no comando e não me aceitaria desta maneira.
Só para se ter uma idéia, nas últimas duas semanas passei por duas três inundações (não é exagero) no escritório, dois micros queimados, uma tv queimada, um ventilador de teto que ataca pessoas, atrasos de 3h em vôos e problemas de roteamento com o meu fornecedor de conexão. Isto foi apenas uma pequena parcela (ah, estou também procurando um novo apartamento e brigando com a "ouvidoria" do "provedor" Terra)...
Assim como a solução de cada problema poderia ser saudada (e quase sempre o é, pelas pessoas a minha volta) com o indefectível "graças a Deus", cada um destes "inconvenientes" poderia receber um "graças a Deus", correto? Afinal, Ele é onipotente, onipresente e depois de umas sessões de terapia deixou de ser punidor e vingativo para se tornar apenas amor e caridade.
Para que se preocupar com as causas dos seus problemas? É mais fácil acreditar em mau olhado, azar, inferno-astral, conjunção de planetas, carma, "encostos" e outras crendices. Depois, é só culpar o destino (ou o Governo, claro) pelos seus percalços e fracassos. Eu deveria, realmente, fazer isto.
O problema é que o Manoel é apenas linhas em uma folha de papel, enquanto eu sou programado para questionar, fuçar, buscar, hackear. Uma incômoda sensação de vazio toma conta quando sou obrigado a abandonar um problema sem uma resposta, e simplesmente acreditar, ou creditar, nas coisas seria apenas o caminho mais rápido para uma frustração futura.
Descobrir que a calha do seu esritório é mal implementada, que a pá do ventilador sofreu torções que comprometeram sua integridade estrutural, que tomadas explicitamente marcadas como 220v fritam aparelhos em 110v e que a sua velha televisão implora por uma aposentadoria (após 3 Copas do Mundo, 2 mudanças e 8 videogames) me é muito mais reconfortante. É saber que cada uma destas experiências geram Experiência e que elas são decorrentes de minhas ações -- ou de minhas inações, como queiram.
No final das contas, eu não preciso de fadas ou duendes para admirar, me preocupar com, ou mesmo, cuidar do meu jardim Se estiverem lá, sorte deles.
Assistam "Anatomia Frozen"
Não vá assistir "Anatomia Frozen". Não vá, especialmente se teatro, para você, for apenas com elenco global e atuações contidas.
Por outro lado, vá, assista, surpreenda-se ao presenciar uma montagem bem feita, sem a necessidade de "muletas visuais" para ser inteligível. Joca Andreazza e Paulo Marcello, que já haviam me convencido em Agreste, simplesmente dominam o texto, se apropriam de uma obra que coloca uma circunstância repleta de tabus -- pedofilia, mente criminosa, determinismo genético ou influência do meio -- e fazem desta peça uma aula de teatro.
Em cena, como em Agreste, apenas os dois atores e pouca (três bancos) cenografia, o que acaba fazendo com que o público se prenda a cada detalhe da atuação de ambos.
p.s.: Apenas um aviso, apesar de eu ter me divertido muito, não são todos os que apreciarão o trabalho. Apesar de ter uma narrativa clara, ágil, não é raro ver espectadores que reclamam do excesso de texto.




