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No Sleep For You!

No Sleep For You!

Dorneles na arena de programação do FISL

Dorneles em ação
Palestra no peimeiro World Plone Day

Poucas coisas poderiam defenir tão bem Dorneles Treméa como este motto: "No sleep for you". Mais que um motto, esta frase mostrava o senso de humor do Déo -- como carinhosamente o chamávamos -- pois usualmente, quem não dormia era ele.

Não temos mais o tomador de suco de maçã entre nós. Ele partiu cedo, de maneira inesperada, deixando uma vida de caminhos não explorados. Porém, devemos lembrá-lo pelas coisas boas que nos propiciou, dos momentos ímpares que tivemos.

O que dizer?

Eu poderia escrever sobre os famosos jantares da comunidade Python no "Tudo pelo Social" de Porto Alegre. 

Poderia comentar sobre seu título na primeira arena de programação do FISL, ou de sua paixão pelos Python Challenges, sua incansável dedicação ao mundo do software-livre ou até mesmo sobre a suas aventuras em Viena, durante uma Plone Conference.

Aliás, seria possível descrever nossas andanças por Londres -- onde o arrastei até o Globe Theater -- ou sobre as dezenas de dicas que ele me deu sobre como sobreviver a viagens internacionais (que ele fazia com frequência).

Não seria pouco mencionar a comoção que gerou sua morte. As manifestações de pesar e solidariedade que vieram do mundo todo, ou da obrigatória rodada de bebida em sua homenagem, qualquer lugar que vamos.

Ao invés de falar do Dorneles Treméa geek e apaixonado por compartilhar conhecimento, vou contar dois causos que mostram um Déo brasileiro e inspirador

Plone, FISL 5 e Ronaldo Fenômeno

Em minha primeira incursão ao FISL, em 2004, fui apresentado formalmente ao Plone, ao mundo das comunidades de software livre e ao futuro amigo Dorneles.

Interessante dizer que quando o Luciano Ramalho me apresentou o Déo, a primeira coisa que disse foi: 

Você é o cara com quem reclamo da porra da tradução do Plone?

Ele riu, pediu desculpas -- mesmo sem eu ter falado nada de substancial -- e me explicou como corrigir o que estava errado.

Neste mesmo dia, a noite, a comunidade Plone -- que eu nem sabia que existia -- decidiu se encontrar em um bar no centro de Porto Alegre. Éramos umas 15 pessoas, incluindo Alan Runyan, Kiko Reis, Sidnei da Silva, Luciano Ramalho, Daniel Vainsencher.

Enquanto todos saudavam a culturam hacker, trocavam experiências e discutiam código, duas pessoas estavam de olhos colados em uma TV: Dorneles e eu. 

Era dia de Brasil e Argentina -- o jogo do Mineirão, em que a Daniela Cicarelli se abriu para o Ronaldo -- e nós dois compatilhávamos aquele momento puramente brasileiro, nada geek. Discutíamos tática, méritos dos times e as paixões clubísticas: Ele colorado, eu maloqueiro e sofredor.

Ao final do jogo nos reunimos ao grupo e tivemos que explicar ao Alan o que significava aquele jogo, 

A paixão pelo futebol nos tornou mais amigos, afinal em nossa "comunidade" acredito que Déo, Osvaldo Santana e eu somos os únicos apaixonados pelo esporte.

Déo era colorado, mesmo nos momentos Mazembe.

Dorneles Tremea

Inspirador

Quando da fundação da Associação Python Brasil, lá nos idos de 2007, aproveitei sua passagem por São Paulo para convidá-lo -- também estavam aqui o Marco André e o Osvaldo Santana -- para ministrar uma palestra sobre empreendedorismo para meus alunos de pós-graduação da UNICSUL. 

Ele, com sua característica humildade, resolveu preparar uma apresentação em um editor de texto, apenas listandos os tópicos que iria falar. Em 1h30min ele detalhou os sucessos, fracassos e muitos percauços como sócio da X3Ng, contando como se recusara a desistir, afinal ele não aceitaria a derrota, o fracasso, a falência

Ao final da aula, um de meus alunos mais velhos (com 45 anos), funcionário padrão em um CPD esquecido pelo mundo, veio, olhos mareados, agradecer por ter convidado o Dorneles, pois aquele "garoto" havia mostrado a ele que uma outra vida era possível, que a acomodação não é o único caminho. 

Outras histórias

Sei que alguém contará sobre as famosas 42h de trabalho consecutivas, ou sobre sua dedicação sobre-humana como Big Kahuna da PythonBrasil[5] ou sobre o seu período como presidente da Associação Python Brasil.

Torço para que o Luciano Ramalho repita a frase sobre como Dorneles Treméa usava o tempo que tinha, e que não tinha, para ajudar os outros.

Ou que o Fábio Rizzo escreva sobre aquela noite, no CTG perto da PUC/RS quando ele teve uma dúvida e o Déo se prontificou a ajudar, desde que alguém tivesse um notebook para que ele pudesse mostrar o código... Após 2 horas víamos os dois em frente ao computador, que dividia o espaço na mesa com maminhas, picanhas e garrafas de cerveja. 

Aliás, alguns destes momentos estão na memória compartilhada. Veja fotos de Dorneles Treméa

Epitáfio

Dorneles Treméa, empresário, líder comunitário, voluntário, desenvolvedor, adepto do conhecimento livre, referência para rooting de devices, colaborador do Debian, colorado de coração, amante de sushi, de suco de maçã.

Dorneles Treméa, filho, irmão, marido e pai. Aliás, pai de duas lindas meninas -- que espero que saibam que o pai foi um ser humano iluminado.

Dorneles Treméa, exemplo de dedicação, meu ídolo e meu grande amigo.

Nunca te esqueceremos.

Obrigado por ter me mostrado como ser um ser humano melhor. Hoje é o seu dia: #dornelesday 

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