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Cloverfield, I Am Legend e porque eu odeio esta tal de Internet

Não quer saber o final do filme? Mude-se para uma caverna

Eu odeio a Internet. Sim, isto mesmo. Eu odeio a Internet.

Como eu sinto saudades da época em que você esperava meses/anos para que as informações chegassem até você. Como eu sinto falta daquela sensação de ineditismo caia sobre nós, brazucas, quando um filme entrava em cartaz. Como eu desejo realmente ter de volta a maldita sensação de surpresa quando vou ao cinema.

Desabafo feito, deixe-me explicar o que se passa.

Esta tal de Internet é uma maldição. Ela te dá acesso a informações de maneira quase imediata. A bolsa cai em Hong Kong, você sabe ao mesmo tempo que todo mundo. O New England ganha mais outro jogo, voilá, todas as publicações online dão destaque para isto. Um filme entra em cartaz, dá-lhe enxurradas de avaliações e críticas.

Até o mundo mineral sabe que eu estou entusiasmado com a, em breve, estréia de Cloverfield. Este filme deu uma aula sobre como se cria um marketing boca a boca eficiente, cria-se expectativa e, ainda mais, como se mantém um segredo durante tanto tempo. Os screenings para a imprensa aconteceram um ou dois dias antes do lançamento, durante todo o período de divulgação do filme não se mostrou NENHUMA vez o monstro (que é a estrela do filme) por completo, e , para melhorar, você sabia muito pouco sobre o roteiro.

Eis que o filme estréia nos EUA e eu fico me policiando para evitar descobrir demais. É uma tarefa árdua pois os sites que costumo frequentar têm notícias e mais notícias sobre o filme, opiniões, troca de idéias e vários spoilers (devidamente ocultados para que pessoas como eu não quebrem o monitor em um acesso de raiva). Tudo ia bem até que o Slashfilm publicou duas matérias que, se não estragaram, diminuiram em muito minha expectativa com relação ao filme. Na primeira, eles anunciam que a Hasbro vai lançar uma linha de brinquedos sobre o monstro do filme -- sim, sim, eles mostram o brinquedo -- e na segunda eles cometem uma enorme, gigantesca, fabulosa gafe ao contar como termina o filme -- ao menos com relação aos personagens principais.

Eu já tinha me frustrado ao descobrir, por acaso, o final de I Am Legend ao ler o tópico da Wikipedia. Ok, fui ao cinema, usei meus ingressos de brinde, assisti o filme e ainda me segurei para não contar o final, mas é desolador você ficar esperando as coisas acontecerem... Outro caso parecido foi com a série Lost quando o Terra deu uma notícia dizendo que o personagem do Rodrigo Santoro tinha sido enterrado vivo no episódio da noite anterior (leia-se, episódio transmitido nos EUA) Á época a série ainda não havia começado sua terceira temporada no AXN, o que deve ter deixado muita gente feliz.

Os estúdios e seus asseclas adoram reclamar da pirataria. Eles estão certos. Por outro lado queria deixar um recado: Estamos na era da comunicação global, que tal se eu, que consigo me virar em inglês, pudesse escolher assistir uma série, um filme, o episódio do Daily Show no mesmo momento que o restante dos meus amigos, que, por acaso, moram nos EUA?

Enquanto isto, eu odeio a (inocente) Internet.

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