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Gigantes lutam pelas tecnologias de programação

IBM, Microsoft, Sun, Apple e Google disputam a proeminência de linguagens que não têm "donos" e as potenciais vencedoras podem ser Ruby e Python.

Estamos à beira de uma grande guerra. A primeira das “guerras para acabar com todas as guerras”. Não falo das batalhas entre nações poderosas ou o “secular” conflito de civilizações — que bota de lados opostos as religiões monoteístas do planeta — e muito menos da maior guerra de todas: a da torcida do meu Juventus da Mooca versus os patrícios da Portuguesa. A guerra é pela sua fé, pela sua fidelidade, pelo seu bolso, e ela envolve as empresas de mídia, telecom e de tecnologia da informação.

Este assunto rende muita conversa, sob os mais diversos aspectos: desde o declínio, queda e previsível morte da Sony até a dominância californiana sobre o mundo da informação e entretenimento.

Mas neste exato momento o assunto é mais provinciano e marginal (quando comparado ao todo). Falo das tecnologias de ponta dentro do mundo da tecnologia da informação.

Primeiro, nenhuma tecnologia nasce pronta, madura e com a aceitação do mercado. Sendo assim vou bater numa tecla que que parecia morta e enterrada. Tecnologias para programação é um assunto que fala muito fundo a desenvolvedores e gestores de TI.

Morta e enterrada? Sim, isto mesmo. Há quase uma década ouço profetas entoarem seus mantras: “Java is everywhere”, “Run once, run anywhere”, “Want a cup of coffee?”, “It not Microsoft…”, e, como um choque de realidade, vamos afirmar que Java é O padrão de fato para sistemas corporativos. E para os ávidos por futurologia, este cenário não mudará tão cedo. Viva o rei!

A dominância de Java me lembra, e muito, meu começo de carreira. Eu fazia “aulinhas” de Basic, C e ADA (eu li em algum lugar que a Nasa usava esta linguagem. Resolvi aumentar minhas chances), mas ao final das aulas o instrutor dizia que linguagem de programação mesmo era Cobol, pois o mercado pedia. Tudo rodava em Cobol, Cobol era o “Emplastro Brás Cubas”! Não preciso dizer o quão certo aquele instrutor estava, anos se foram e até hoje temos sistemas Cobol embrenhados nos alicerces das mais diversas empresas.

Ao mesmo tempo, tudo muda e nada é permanente. Esta verdade, em TI, parece mais real que nunca. As grandes empresas, as gigantes, deste jogo sabem disto muito bem e mesmo investindo fábulas nas tecnologias de desenvolvimento atuais — melhorias, atualizações e principalmente novos acrônimos — investem outro bom dinheiro na concepção e direcionamento das potenciais vencedoras do evolucionismo tecnológico — a próxima geração.

Dando nomes, quando digo gigantes vocês podem ler, sem medo, IBM, Microsoft, Sun, Apple e Google, e quando digo potenciais vencedoras aposto fortemente em Ruby e Python (Colocaria PHP também, mas acredito que Ruby canibalizará este mercado).

Meses atrás escrevi um artigo, aqui mesmo no Webinsider, sobre o uso de Python para desenvolvimento web. Foi engraçado que tive várias mensagens de apoio — quase todas elas de membros ativos da comunidade Python — e tive também alguns comentários mais “céticos”.

Especificamente um “afirmava” que, pelo que eu descrevia no artigo, o “universo” todo era escrito em Python (exageros por minha conta). Sinceramente, nunca tive ânimo para responder àquele comentário, primeiro porque ficava claro que a pessoa não leu o artigo e segundo porque meu sarcasmo poderia ser mal interpretado. Hoje, com mais bom humor, a resposta seria que talvez não o universo, mas que o Google e o YouTube são.

Para não incorrer novamente no erro de só mencionar o Python, conto uma passagem ocorrida na última RubyConf — conferência mundial de usuário de Ruby — e presenciada pelo meu velho amigo e mentor, Luciano Ramalho. O evento estava totalmente esgotado, com pessoas de várias partes do mundo e de todo tipo de empresas. A grande surpresa (ao menos para mim) veio da presença de um pequeno grupo de funcionários da Sun que estão alocados em um projeto de portar Ruby para a VM da Sun, oferecendo assim uma maneira mais produtiva para o desenvolvimento em torno do mundo Java (que, continuará a mover bolsos e planilhas dos CIOs pela próxima década).

Seguindo o Google/YouTube no mundo Python e a Sun no mundo Ruby vemos a sombra da Microsoft.

Há poucos meses a empresa de Redmond anunciou que incorporará as duas linguagens ao seu já poderoso Visual Studio, e, indo além, contratou algumas personalidades destas comunidades para serem os responsáveis pela evangelização destas linguagens dentro de seu corpo de desenvolvedores.

Por trás destes movimentos vê-se uma estratégia de apostar nos principais cavalos, ainda mais que ambas as linguagens não têm “donos” — leia-se empresas e patentes atreladas a elas — são frutos de trabalhos individuais que graças a meritocracia reinante no mundo do software livre e ao marketing boca a boca saíram de seus nichos e ganharam lugares de destaque. Os gigantes, agora, estão brincando nos mesmos playgrounds pequenos e orgânicos — não projetados — das comunidades.

O resultado destes movimentos? Impossível apontar, mas é certo que a meritocracia reinante até agora será, em parte, substituída pelos desejos estratégicos de cada corporação.

Google e Microsoft brigando pelo controle da linguagem na Python Foundation, com vantagem para o Google que contratou Guido van Rossun há mais de um ano. E Microsoft e Sun batalhando nos terrenos abertos da comunidade Ruby, sendo que a sorte penderá, provavelmente, para a empresa que expatriar “Matz” Matsumoto, criador da linguagem.

Enquanto isto, aos desenvolvedores, resta relaxar e esperar a melhorar onda.
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